CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA
IntroduÇÃo
A história do Egito desenvolveu-se numa estreita zona cultivável nas margens do Nilo,
limitada pelos desertos da Arábia e da Líbia. O historiador grego Heródoto havia qualificado o
Egito como um presente do Nilo, em virtude das enchentes fertilizantes do grande rio.
As primitivas populações do Egito eram de origem semita, mas, gradativamente, deu-se
uma dominação étnica dos semitas. Espalhados ao longo das margens do Nilo, os Egípcios
agruparam-se primeiramente em nomos, comunidade totênicas dedicadas à agricultura. Os nomos reuniram-se,
em conseqüência das guerras e da própria unidade sugerida pelo rio, em dois reinos: o do Baixo Egito,
situado no delta, e o do Alto Egito, situado no vale.
As lutas e as rivalidade entre os Estado do Baixo e do Alto Egito terminaram pela unificação
dos dois reinos que, segundo a tradição, teria sido feita por Menés em 3500 a.C. aproximadamente.
A primeira capital do país foi Tínis, ao sul do Nilo, onde reinaram as primeiras dinastias.
Posteriormente a capital foi transferida para Mênfis, na margem sul do delta.
Poderíamos dividir a história política do Egito Antigo em oito períodos:
- Antigo Império (3300 - 2300 a.C.)
- Período revolucionário de transição (2300 - 2100 a.C.)
- Médio Império (2100 - 1750 a.C.)
- Dominação dos Hicsos (1750 - 1580 a.C.)
- Novo Império (1580 - 1090 a.C.)
- Período de decadência (1090 - 663 a.C.)
- Renascimento saíta (663 - 526 a.C.)
- Época posterior (526 - 30 a.C.)
O Antigo Império constituiu-se em uma perfeita teocracia. Os faraós, venerados como
deuses, eram chefes políticos absolutos, tão distanciados do povo que só podiam casar com parentes
próximos, a fim de ser evitada a contaminação do sangue divino com uma raça inferior. O
Antigo Império é também o período da construção das grandes pirâmides.
Termina com uma fase agitada de revoluções, provocadas pelos pesados tributos impostos ao povo, acompanhada
pela formação de poderosa nobreza e de invasões.
O Médio Império foi menos centralizado do que o anterior e de certa forma mais democrático,
sobretudo no governo da XII Dinastia.
Aproximadamente em 1750 a.C. o Egito sofreu a invasão dos Hicsos, de língua semita,
os quais, penetrando pelo istmo de Suez, dominaram completamente o país. A guerra pela independência foi
iniciada por Amósis I que se aproveitou depois do espírito de revolta contra a tirania dos Hicsos pra
transformar-se em déspota.
O Novo Império foi sobretudo agressivo e imperialista. O estímulo da bem sucedida expulsão
dos Hicsos provocou uma série de guerras e conquistas. Os faraós mais importantes desse período
são: Tutmosis III (1479 - 1447 a.C.), que dominou completamente a Síria, fazendo-se senhor de um vasto
domínio que ia das cataratas do Nilo até o Eufrates; Amenófis IV (1380 - 1362 a.C.), que tentou
uma grande reforma religiosa, ordenando a adoração de um único deus, Aton, antecipando-se, pois,
ao monoteísmo que surgiria mais tarde como religião entre os hebreus; e Ramsés II (1300 - 1223
a.C.), o famoso conquistador do reino Hitita.
O período de decadência inicia-se aproximadamente após a morte de Ramsés
II. Os chamados "povos do mar", indo-europeus, invadem a região da Síria e do Delta. Etíopes e
assírios apoderam-se do trono egípcio.
O renascimento saíta durou pouco tempo. Inicia-se com o fim da dominação assíria,
sob a proteção de Psamético I. A capital, Saís, bem próxima ao Mediterrâneo,
torna-se um ativo centro comercial e industrial. Este período revela forte influência dos gregos, que
chegaram a possuir uma colônia no Delta, Naucrátis. Necau reconstroi o canal que desde o tempo de Ramsés
II ligava o Mediterrâneo ao mar Vermelho e Hamom realizava uma grande aventura marítima, circunavegando
a África em três anos de viagem.
Pouco depois, os egípcios são batidos e dominados pelos persas em Pelusa (525 a.C.).
Sucessivamente, gregos e romanos dominaram a antiga civilização de Nilo. Mais tarde, os árabes
ocupariam a terra dos antigos faraós e manter-se-iam como seus senhores até a Idade Contemporânea.
Classes sociais
A população egípcia distribuía-se em sei classes: a primeira era constituída
exclusivamente pelos membros da família real. Seguiam-se os sacerdotes, os nobres, os escribas e os mercadores.
Os artesãos, os lavradores e os servos constituíam a camada mais baixa da população.
A religiÃo
A religião é uma instituição dominante em todos os aspectos
da vida egípcia. A princípio, foi acentuadamente politeísta; cada nomo ou localidade possuía
seus deuses regionais. A unificação política do país reduziu os inúmeros deuses
locais a um conjunto de grandes deuses nacionais, no qual se destacavam: Pptah, representado pelo boi Ápis;
Ra, criador da terra e deus do sol; Osíris e sua esposa Ísis, povoadores e civilizadores do mundo; Seth
e sua esposa Néftis, representantes do mal e da morte.
As artes e os conhecimentos cientÍficos
A arte egípcia foi quase sempre de sentido religioso. A arquitetura funerária, sobretudo,
destaca-se nas mastabas, nas pirâmides e nos hipogeus. As mastabas eram câmaras funerárias que serviam
de pequena capela para o culto do morto. A construção de pisos escalonado por cima das mastabas, deu-lhes
posteriormente uma forma piramidal. No período menfítico apareceram as primeiras grandes pirâmides.
Posteriormente, entre 3000 e 2500 a.C., construíram-se mais de quarenta entre as quais as de Quéops,
Quéfren e Miquerinos, famosas por sua altura.
A escultura era concebida como um complemento da arquitetura. As estátuas egípcias
são geralmente muito rígidas, mas, no período menfítico, a escultura já havia atingido
um alto grau de perfeição.
A pintura, em cores vivas e com uma propositada fuga às normas gerais de perspectiva, possivelmente
em respeito a uma tradição artística no tratamento de temas religiosos, apresenta um grande progresso,
sobretudo depois de Amenófis IV.
É na matemática e astronomia que se destacam os conhecimentos científicos dos
egípcios. Dois mil anos antes de Cristo já haviam descoberto fórmulas para cálculo das áreas
do triângulo e do círculo, assim como de volume das esferas e dos cilindros. Apesar de não conhecerem
o zero, já resolviam nessa época equações algébricas. Os seus conhecimentos astronômicos
permitiram-lhes a organização de um calendário baseado nos movimentos do Sol. A divisão
do ano em doze meses de trinta dias é de origem egípcia; os romanos adotaram-na e ainda hoje é conservada
com pequenas modificações.
A medicina egípcia também era surpreendentemente adiantada. Chegaram a fazer pequenas
operações e a tratar com habilidade as fraturas ósseas. Pressentiram a importância
do coração e na observação das propriedades terapêuticas de certas drogas adquiriram
alguns conhecimentos básicos de farmacodinâmica.
A economia
A vida econômica do Egito no Antigo Império era essencialmente agrícola. Teoricamente
as terras pertenciam ao faraó; na prática, porém, eram controladas por senhores feudais que administravam
os nomos. Cultivaram-se o linho, o algodão, a vinha, os cereais e a oliveira. O boi e o asno foram os animais
mais utilizados.
O cavalo só foi usado a partir do Novo Império e o camelo, hoje tão
ligado à paisagem egípcia, não foi empregado antes da época do Ptolomeus.
Se bem que a agricultura fosse a principal base econômica, também havia uma industria
desenvolvida. No Antigo Império já existia uma adiantada cerâmica, mineração e indústria
têxtil.
Calcula-se, que no auge de sua cultura, a civilização egípcia possuía
cerca de 30 milhões de habitantes e que, por esse motivo, ultimamente tem se levantado inúmeras teorias
para explicar como conseguiam alimentos para todo esse povo.
Como explicar as cordas ou rolos de madeira usados na construção das pirâmides,
sendo que não havia arbustos e as poucas árvores, palmeiras, davam frutos dos quais se
alimentavam?
Como explicar que durante a construção da grande pirâmide não se perdeu
nenhum bloco de calcário no Nilo, visto que, como explicam alguns arqueólogos, eles se utilizavam de
chatas para o transporte dos blocos?
Questões assim são importantes para inflamar debates nas convenções em
que diversas linhagens de pesquisadores, seja céticos, audaciosos, ou qualquer outro tipo, debatem fervorosamente.
A literatura
A escrita egípcia, denominada hieroglífica foi primitivamente pictográfica,
isto é, cada sinal representava um objeto. Gradativamente os antigos sinais foram substituídos por caracteres
que designavam sílabas, mais tarde reduzidos a vinte e quatro símbolos que representavam sons da voz
humana. Além da escrita hieroglífica, usaram os egípcios dois outros sistemas de escritas: o hierático
que era uma forma cursiva para fins comerciais e o demótico, usado nos últimos períodos e que
consistia numa forma mais simples e mais popular do hierático.
A literatura foi de natureza sobretudo religiosa e filosófica. As suas mais antigas manifestações
são constituídas por inscrições feitas nas pirâmides e em túmulos suntuosos.
Merece citação a "Canção do Harpista", repassada de ceticismo em relação à vida
depois da morte e sugerindo o gozo dos prazeres mundanos. Além dos textos esculpidos nos túmulos e nas
pirâmides, havia também, contos, romances e hinos religiosos. O "Diálogo de um Misantropo", é um
condenação das iniqüidades e injustiças desta vida e uma exaltação da outra,
verdadeira libertação de todos os infortúnios humanos.
A literatura egípcia projetou-se na literatura de outros povos. No Livro do Provérbios
de Salomão, por exemplo, sente-se a influência de um livro egípcio intitulado "A Sabedoria de Amenemope",
obra de fundo ético e didático.
A contribuição da civilização egípcia para idéias religiosas
e éticas é transcendental. Do Nilo derivou-se uma grande parte do progresso intelectual das épocas
posteriores. A filosofia, a astronomia, a matemática, a escrita e a literatura nasceram no Egito. Tal fato,
por si só, já é suficiente para que se tenha uma idéia bem nítida
da importância da herança que foi legada à posteridade pela velha civilização dos
faraós.
|