A NUVEM DE OORT
Muito além da órbita de Plutão, a meio caminho da estrela mais próxima
está o
limite do Sistema Solar. Essa região, que se estende por cerca de três anos-luz, ou seja, a 30 trilhões
de quilômetros do Sol, contém seis trilhões de pedras de gelo de diversas dimensões, recebendo
o nome de nuvem de Oort, em homenagem ao astrônomo holandês Jan Hendrik Oort. Esta grande distância é considerada a extremidade da
esfera de influência física, gravitacional e dinâmica do Sol.
Ele verificou que os cometas de longo período vinham de uma região situada de 20.000 a 100.000 UA
do Sol e previu que o Sistema Solar era cercado por uma nuvem composta de bilhões de cometas. Até hoje
ninguém viu a nuvem de Oort, essa gigantesca região esférica que abriga cometas e outros resíduos
da nebulosa que deu origem ao Sistema Solar.
Ninguém mediu seu tamanho, sua densidade ou contou o número de objetos que lá existam. Isso
provavelmente não será feito num futuro próximo pois os corpos se situam a distâncias
muito grandes e são muito pequenos para serem detectados pelos instrumentos existentes. Mas os cientistas
têm certeza que ela existe. Ela é totalmente diferente das outras regiões do sistema planetário
que contém restos da nebulosa que deu origem ao Sistema Solar. Enquanto os corpos do anel de asteróides,
situado entre Marte e Júpiter, e do cinturão de Kuiper, situado logo após a órbita de
Netuno, estão confinados às proximidades do plano da eclítica, os da nuvem de Oort estão
espalhados em todas as direções. É bem provável que exista maior aglomeração
(5 trilhões) nas proximidades do plano da eclítica e o restante (1 trilhão) espalhados aleatoriamente.
Os cientistas estimam que a massa total de objetos na nuvem de Oort deva ser da ordem de 40 massas terrestres. Para
explicar a variada composição química dos cometas os cientistas dizem que essa matéria
deve ter se formado a diferentes distâncias do Sol e portanto em locais com diferentes temperaturas. A temperatura
na nuvem de Oort deve ser de -269°C, ou seja, 4°C acima do zero absoluto.
Nas profundezas dessa nuvem a ação gravitacional do Sol é tão fraca que os corpos estão
sujeitos à perturbações devidas a estrelas que passem nas proximidades do Sol, a marés
galáticas ou pela passagem do Sol por nuvens intergalácticas, e com isso se precipitarem na direção
do Sol.
Dentro da nuvem, cometas estão tipicamente separados por distâncias de milhões
de quilômetros. Estão ligados debilmente ao Sol, e estrelas passantes e outras forças podem mudar
suas órbitas, enviando-os ao sistema solar interno ou para o espaço interstelar. Isto é especialmente
verdadeiro com os cometas nas extremidades exteriores da nuvem de Oort. Acredita-se que a estrutura da nuvem consiste
em um núcleo relativamente denso que se localiza próximo do plano da eclíptica e gradualmente
se atenua nos limites exteriores. Estima-se que seis trilhões de objetos frios ou cometas estão na
região exterior e no restante do núcleo relativamente denso.
Além de perturbações estelares quando uma estrela atravessa regiões
próximas da nuvem de Oort, esta também sofre perturbações das nuvens gigantes de hidrogênio
e ondas gravitacionais. Uma nuvem molecular gigantesca é, sem dúvida, mais volumosa que o Sol. É uma
acumulação de hidrogênio frio que marca o local do nascimento de estrelas e sistemas solares.
Encontramos com elas raramente, mais ou menos a cada 200-300 milhões de anos, mas quando da ocasião
do encontro, estas nuvens podem redistribuir cometas violentamente dentro da nuvem de Oort.
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